quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Desenvolver paciência e autocontrole em crianças com autismo


Crianças com TEA costumam se sentir frustradas no momento em que algo não segue o caminho esperado, ou quando algo quebra sua rotina, não é mesmo? Quando ficam muito tempo esperando por atenção ou ajuda, podem se agitar rapidamente... O mesmo pode acontecer quando se deparam com um desafio ou uma tarefa difícil. Também podem se sentir frustradas por não conseguirem comunicar os seus pensamentos e sentimentos.
Como podemos então ajudar a criança a desenvolver paciência e auto-controle quando ela se sentir frustrada? A seguir daremos algumas dicas de estratégias para ajudar a criança a lidar com esse sentimento:

- Se o seu filho precisa esperar por alguma coisa (comida, atenção, etc), fale com ele sobre o que você está fazendo, explique sobre o motivo da espera. Por exemplo, você pode dizer: "Eu estou esquentando seu leite agora, espere um pouquinho..." ou "Papai vai parar o carro enquanto a mamãe compra o pão na padaria, por isso você vai ter que esperar!”

- Quando houver qualquer mudança na rotina, antecipe o acontecimento para a criança, explicando o motivo e preparando-a para o evento diferente, assim ela se sentirá mais segura. Por exemplo, sua criança costuma lanchar sempre na sala de aula, mas hoje é dia de lanchar no pátio, então você pode se antecipar e dizer para ela “Agora nós vamos descer porque hoje não vamos lanchar aqui, mas no pátio!”

- Quando a criança se desorganizar, você deve mostrar-lhe que reconhece o quão difícil aquilo pode ser: "Eu sei que você não queria que seu coleguinha desenhasse por cima do seu desenho." Em seguida, você pode ajudá-la a pensar em soluções, sugerindo ou demonstrando estratégias para resolver o problema que está enfrentando: “O que podemos fazer agora para resolver isso? Você gostaria de fazer um novo desenho ou acha que podemos usar a borracha?”. Deixar a criança escolher a saída, ou até mesmo pensar por si só faz com que ela se reorganize e não siga frustrada.

- Ensine a criança a dosear o ritmo, para que ela não se frustre rapidamente e para que a atividade não fique chata para ela. Você pode oferecer tempo longe da tarefa frustrante para ir beber água quando perceber que ela está ficando cansada ou até mesmo uma volta no pátio. Mas lembre-se de voltar para o desafio para que a criança não veja as atividades de intervalo como uma forma de ficar livre da tarefa.

- Quebre o desafio em partes menores e gerenciáveis​​. Dividir uma atividade em tarefas menores evita que a criança se frustre e aumenta a sua segurança. "Por que você não colocou o polegar primeiro? Vamos trabalhar juntos para colocar cada um de seus dedos na luva." Ou “Vamos colorir um desenho de cada vez, podemos pintar primeiro a casinha, e depois o sol e o jardim”.

- Use do bom humor. As crianças vão apreciar se, por exemplo, você “conversar” com o bloco que caiu: "Bloco doido! Você tem que ficar lá em cima! Bem, nós não vamos desistir!"

E voltamos às rotinas



A rotina organizada possui um papel importante no desenvolvimento de todas as crianças. No caso das crianças com TEA, mais ainda! Sabemos que elas possuem uma grande tendência a se fixar em rotinas. Então podemos utilizar isso a favor da aprendizagem de habilidades. Vejamos como:

Rotinas podem ajudar a criança a aprender auto-controle:
Com rotinas consistentes e estruturadas, as atividades que acontecem quase ao mesmo tempo e quase da mesma forma a cada dia, sabendo o que vai acontecer a seguir de cada atividade, proporciona conforto e uma sensação de segurança e estabilidade para as crianças. Quando as crianças sentem esta confiança, elas estão livres para fazer o seu "trabalho", que é brincar, explorar e aprender.
Além disso, a rotina, ao permitir que a criança antecipe o que vai acontecer a seguir, permite que a criança construa um senso de controle. Ao mesmo tempo, isso limita a quantidade de “nãos” e correções de comportamento que os cuidadores precisam dar à criança. Por exemplo no ambiente escolar, “Eu sei que você quer um biscoito, Pedro, mas agora é o momento da roda musical. Primeiro a roda e depois a hora do lanche, combinado?!.”

Para auxiliar a criança com autismo a compreender e seguir sua rotina, uma estratégia produtiva é construir com ela um quadro de rotina visual, com imagens das atividades que serão realizadas no decorrer do dia da criança, na ordem de ocorrência. A criança pode ter uma rotina em casa e outra na escola!

Rotinas apoiam as habilidades sociais das crianças:
Com o crescimento das crianças, elas entram em contato com mais pessoas e começam a aprender padrões e rotinas para a interação social. Saudações, despedidas, e conversação com os outros, são exemplos de interações rotineiras que ensinam habilidades sociais a crianças com TEA que possuem déficits nesse aspecto. Além disso, essas interações são também oportunidades de ajudar as crianças a desenvolverem habilidades de linguagem, por exemplo, Ana via sua mãe sempre dar bom dia ao porteiro ao saírem para a escola; com o passar do tempo e repetição da rotina, Ana começou a falar com o porteiro, dizendo toda manhã “Bom dia, João!”.
Os momentos de brincadeiras e as refeições são duas rotinas que podem ser muito sociais para as crianças e cuidadores, nas quais as crianças podem desenvolver habilidades sociais importantes, tais como troca de turno (de conversa ou ação em brincadeira), aprender a esperar, seguir comandos, etc.

Rotinas podem ajudar as crianças a lidar com as transições:
Para algumas crianças com TEA, as transições entre as atividades pode ser um momento complicado. Acordar para a natação, indo da natação para o almoço, do almoço para a escola, da escola para casa da avó, depois para sua casa ... e, especialmente, a transição para o momento de deitar na cama, pode ser um desafio. A rotina pode ajudar a tornar as transições mais facéis, pois a criança, ao saber o que a espera a seguir, já está preparada para a troca de atividade. Uma dica para facilitar a troca de atividades que ainda não fazem parte da rotina, é usar um temporizador (alarme), música ou um "aviso de 5 minutos" para preparar suas crianças para uma mudança na atividade.
Crianças com TEA costumam apresentar resistência a mudanças e novidades. Para minimizar a ansiedade que sentem é importante preparar a criança para a mudança, antecipando o que irá acontecer e explicando como serão as novas atividades. Isso possibilitará a criança se sentir mais segura.

As rotinas são uma oportunidade importante para a aprendizagem:
As rotinas diárias são muitas vezes consideradas como apenas a atividades de "manutenção": a hora da refeição, de sair/chegar da escola, tomar banho, se preparar para dormir. Mas essas ações cotidianas são ricas oportunidades para apoiar a aprendizagem e desenvolvimento da criança. As rotinas oferecem a oportunidade de construir a auto-confiança, curiosidade, habilidades sociais, auto-controle, habilidades de comunicação, e muito mais. Vamos pensar em um exemplo de compras no supermercado:
Maria e sua mãe estão rodando pelo supermercado. Maria apontou para as maçãs e sua mãe disse: "Olhe para as maçãs, temos as vermelhas e as verdes. Não parecem gostosas?" Ela segurou uma para fora para Maria tocar: "Sinta quão suave que elas são!". Então a mãe pegou um saco de plástico e virou-se para Maria: "Por que você não me ajuda a escolher algumas para levar para casa?" Juntas, elas contaram cinco maçãs e colocaram na bolsa. Ana tentou o seu melhor para ajudar, mas aquelas maçãs eram difíceis de segurar! Levou as duas mãos para conseguir colocar uma no saco. "Bom trabalho!", disse a mãe, "Obrigada pela ajuda."

Neste exemplo, uma interação simples no supermercado abriu as portas para a prática de habilidades de linguagem, uso dos sentidos, e aprender sobre números e cores. Ela também forneceu uma oportunidade para cultivar a auto-confiança de Maria e sua auto-estima, pois a mãe mostrou que os interesses da criança foram importantes, bem como mostrou que a criança era capaz de fazer coisas importantes, ao permitir a Maria escolher e ensacar as maças.

As rotinas fornecem os dois ingredientes essenciais para a aprendizagem: relações e repetição. Então aproveite esses momentos "normais" com sua criança. Se ela está se divertindo com você, ela está aprendendo, também!

Nós queremos ser diferentes


Viaje connosco na diferença. Ajude-nos a fazer desta escola uma escola melhor para todos. Queremos ser uma escola inclusiva no verdadeiro sentido da palavra.

Dicas para ajudar o seu filho com PEA

Recursos para comunicação aumentativa

 
 
Hoje andava à procura duma aplicação que me permitisse construir texto com imagem para construir alguns instrumentos de trabalho que permitissem uma melhor comunicação dentro da sala de aula. O Araword era um deles. Esta aplicação informática é livre, enquadrada num conjunto de aplicações para a comunicação aumentativa e alternativa, que consiste num processador de texto que permite a escrita simultânea de texto e de pictogramas, facilitando a elaboração de materiais e a sua adaptação para pessoas com dificuldades a nível da comunicação funcional.
 Foi assim que dei com esta página de recursos livres para as necessidades educativas especiais.
Como a achei muito interessante não podia deixar de a publicar aqui. Recursos gratuitos que facilitem a comunicação são sempre muito úteis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Experiências com sementes


Tínhamos duas maçãs na sala. decidimos parti-las aos bocados para comer e aproveitar as sementes.


Uma só tinha uma semente, 


A outra tinha 4.


Arranjámos papel absorvente que molhámos em água para que ficasse húmido. Medimos uma pequena quantidade de água.

                           

Com muito jeitinho...

                            

 Molhámos lá o papel e fizémos um ninho para as sementes. Pusémos o ninho dentro dum copo pequeno de plástico.


Escrevemos no copo com caneta de acetato o nome das sementes e a data em que as pusémos lá.


Levámos o copinho à Dona Idália do bar da Escola e pedimos-lhe que pusesse as nossas sementes no frigorífico por um tempinho. Elas precisam de frio para germinar mais depressa.


Ficou aqui neste cantinho. Daqui a uns dias vamos lá espreitá-las. Venham depois connosco, está bem?

Desta vez aventurámo-nos pela gelatina


Hoje as mestras cozinheiras foram as terapeutas Janine e Carolina. E a receita era de gelatina.


Primeiro foram identificados todos os utensílios necessários para a confeção além dos ingredientes.
Vieram munidos de cafeteira elétrica, funil, medidor, taça, colher de pau, gelatinas para escolher sabores e a surpresa maior: gomas assustadoras!


Um a um foram identificados e "etiquetados" todos os apetrechos e ingredientes


 A taça


 E a colher de Pau


 O copo e a cafeteira...


Depois de tudo etiquetado chegou a hora de seguir a receita que estava no pacote.


 Medir  a água: encontrar a medida no medidor.


Encher de água até à medida.


E despejar na cafeteira elétrica


 Depois era preciso deixá-la ferver. Esperámos até que fizesse fumo e vissemos bolhinhas na água.


Verter a água na tigela 


Escolher a gelatina e cortar o pacote 


 para verter na água quente


 e mexer.


Juntar a mesma quantidade que tinhamos posto de água quente, agora, de água fria.


E voltar a mexer muito bem!


O João Pedro ajudou a mexer para que não houvesse dúvidas de que não estivesse bem mexida.


Por fim foi só verter para os copos. Para não entornar, usou-se um funil.


O melhor de tudo foi juntar a goma. Cada um escolheu a que quis. Ela depressa subiu e ficou à espreita.


Depois levámos ao frigorifico. Só amanhã é que a vamos comer. Já agora quem adivinha de que é a gelatina?